
Hoje eu estava olhando os textos dos participantes, no site da ZH. Gostei tanto de um deles que vou postar aqui:
" Uma seleção de incansáveis
Álvaro Andrade - Ulbra
Terça-feira, dia útil, horário comercial. Pessoas correm aparentemente sem rumo. No Centro de Porto Alegre, uma rotina completamente alterada. Aos poucos, as ruas ficam vazias. O barulho de cornetas e buzinas se mistura ao som das transmissões de rádio e TVs espalhadas pelos prédios. A Avenida Voluntários da Pátria está em verde e amarelo. Faltam 10 minutos para o Brasil inteiro entrar em campo. O clima é de Copa.
Todos foram ao largo Glênio Peres para assistir à estreia da seleção brasileira. Gremistas, colorados, ricos e pobres: as diferenças são postas de lado em nome da torcida pela vitória. “Pra gente não muda nada, mas se eles ganham, dá orgulho, a gente fica feliz”, resume o aposentado José Selau Mengue, de 59 anos. Ele veio de São Lourenço do Sul para ir ao médico, mas não conseguiu consulta.
O remédio foi esperar uma vitória da seleção: “depois não entendem porque só o futebol é que dá alegria pro povo”, reclama. A cada lance de perigo, uma vibração em coro. Algumas chances desperdiçadas, o primeiro tempo termina, e o catador de latas sentencia: “Kaká não tá nada bem”. Ele e os outros 190 milhões de técnicos brasileiros sofrem com as dificuldades do time de Dunga nos primeiros 45 minutos da seleção na Copa da África.
O árbitro apita o início do segundo tempo. A senhora faz o sinal da cruz, outros benzem seus patuás; a menina faz figa. E parece que a fé e a mandinga do brasileiro dão certo. O gaúcho Maicon entra pela direita, chuta cruzado e está feito o primeiro gol dos pentacampeões em terras africanas. O Centro explode em êxtase e até o policial militar esboça uma recatada comemoração. Mais alguns minutos e Elano recebe um passe primoroso de Robinho. Ele amplia: 2×0. Nem o gol norte-coreano é capaz de estragar a festa, que só aumenta quando a partida acaba. Carnaval gaúcho em pleno mês de junho.
Pela décima quinta vez em 19 mundiais, o Brasil vence na estreia. Uma vitória apertada, um pouco sofrida. Não por acaso, como a rotina da maioria dos brasileiros. Isso talvez ajude a entender a grande identificação desse povo com sua seleção: a incansável luta pela vitória. "
Terça-feira, dia útil, horário comercial. Pessoas correm aparentemente sem rumo. No Centro de Porto Alegre, uma rotina completamente alterada. Aos poucos, as ruas ficam vazias. O barulho de cornetas e buzinas se mistura ao som das transmissões de rádio e TVs espalhadas pelos prédios. A Avenida Voluntários da Pátria está em verde e amarelo. Faltam 10 minutos para o Brasil inteiro entrar em campo. O clima é de Copa.
Todos foram ao largo Glênio Peres para assistir à estreia da seleção brasileira. Gremistas, colorados, ricos e pobres: as diferenças são postas de lado em nome da torcida pela vitória. “Pra gente não muda nada, mas se eles ganham, dá orgulho, a gente fica feliz”, resume o aposentado José Selau Mengue, de 59 anos. Ele veio de São Lourenço do Sul para ir ao médico, mas não conseguiu consulta.
O remédio foi esperar uma vitória da seleção: “depois não entendem porque só o futebol é que dá alegria pro povo”, reclama. A cada lance de perigo, uma vibração em coro. Algumas chances desperdiçadas, o primeiro tempo termina, e o catador de latas sentencia: “Kaká não tá nada bem”. Ele e os outros 190 milhões de técnicos brasileiros sofrem com as dificuldades do time de Dunga nos primeiros 45 minutos da seleção na Copa da África.
O árbitro apita o início do segundo tempo. A senhora faz o sinal da cruz, outros benzem seus patuás; a menina faz figa. E parece que a fé e a mandinga do brasileiro dão certo. O gaúcho Maicon entra pela direita, chuta cruzado e está feito o primeiro gol dos pentacampeões em terras africanas. O Centro explode em êxtase e até o policial militar esboça uma recatada comemoração. Mais alguns minutos e Elano recebe um passe primoroso de Robinho. Ele amplia: 2×0. Nem o gol norte-coreano é capaz de estragar a festa, que só aumenta quando a partida acaba. Carnaval gaúcho em pleno mês de junho.
Pela décima quinta vez em 19 mundiais, o Brasil vence na estreia. Uma vitória apertada, um pouco sofrida. Não por acaso, como a rotina da maioria dos brasileiros. Isso talvez ajude a entender a grande identificação desse povo com sua seleção: a incansável luta pela vitória. "
by Paquita: Parabéns a todos os participantes desse concurso, são pessoas como vocês que podem melhorar a qualidade do jornalismo no Brasil!
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