quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

04/12/10

As pessoas não são árvores, mas algumas têm raízes. Eu sou uma delas. Tenho minhas raízes enterradas no passado, uma terra infértil e dura, que não me deixa florescer. Já não consigo absorver a água quando me regam, e tenho sede de liberdade, tenho sede de VIDA! Eu odeio essa terra na qual estou plantada e tenho medo de não conseguir sair dela. Sinto-me ainda mais impotente diante disso quando, mesmo sabendo que o solo está morto, fico nele procurando alguma semente, ou até mesmo uma flor! Pergunto a mim mesma: Tenho mesmo esperanças de que algo ainda possa renascer nesse ambiente tão insalubre, e agora tomado pelos vermes? Se quero sair dali, por que ainda procuro sinais de vida neste lugar?
É hora de buscar terra nova. Posso sair machucada devido ao esforço, e por algum tempo não conseguir plantar-me, e viver apenas dentro de um vaso d’água, ou tombada no chão, repousando para recuperar minhas forças. Mas haverá vida ao redor de mim, o que me fará levantar. Terei me livrado de tudo o que me era insalubre, e das coisas que não mais renascem, sendo que eu, muito mais que renascer, eu SOBREVIVI! Sim, um dia gritarei vitoriosa, pois não precisarei mais olhar para trás, nem mesmo para ver o estado de degradação de tudo aquilo que me prendia... Simplesmente haverei me desvencilhado de vez, e poderei dizer, do fundo do coração, que pouco me importa seu estado atual. Porque já estará muito longe de mim, e me soará como uma terra estranha, assim como qualquer outra existente no mundo, as quais a mim não dizem respeito.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

10/11/10

Vivendo e aprendendo... Li hoje algo que preciso compartilhar: “Se você enterrar o sofrimento lá no fundo, ele ficará com você indefinidamente, mas se você se abrir para ele, vivenciá-lo e enfrentá-lo, vai descobrir que, depois de um tempo, acaba passando”. Ok, estou iniciando hoje essa fase, e quero ver quanto tempo vai durar! Creio que, em muitos momentos durante o dia, não consegui disfarçar e fingir que está tudo bem. Todos têm seus momentos de fraqueza, e ela tem que ser enfrentada para se transformar em força. A vida é muito dura para quem não sabe lidar com sentimentos. Aprenda. Tropece no caminho, se precisar. Mas aprenda. Fique cara a cara com seu problema e evite tomar o caminho mais fácil, que só irá adiar essa decisão definitiva. Ninguém sabe se existe destino, e qual seria ou é, mas é possível perceber quando se está insistindo no mesmo erro, talvez o caminho seja outro! Vamos abrir essa mala pesada que estamos carregando e ver o que há dentro dela, por mais que isso machuque! Não tenha medo do que sairá de dentro dela, pois, depois de sair, não vai mais voltar... Será que, no fundo, você sabe disso, mas não quer se desfazer da sua mala?

É como diz a Pitty... “Você acha que eu sou louca, mas tudo vai se encaixar”.

Na Sua Estante (Pitty)
Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar,
Te vejo sonhando e isso dá medo,
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar, ao menos mande notícias
Você acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante
Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu
Só por hoje não quero mais te ver, só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar.
Muito lindo o vídeo da música: http://www.youtube.com/watch?v=DP3j6hgS4VY

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

25/10/10

É como um pacto, um segredo, cada toque, cada beijo, cada olhar... Um código só nosso... Que se quebrou! Intrusos invadem meu mundo... Sim, é meu, porque esse mundo não é seu, o mundo em que vivíamos era nosso, não o pegue somente para você, levando consigo nossas peculiaridades, porque elas também são minhas... Enquanto o ser humano racionaliza tudo e partilha bens materiais igualmente, quem partilhará o sentimento, que não pode ser tirado só de uma das partes e simplesmente dado a terceiros? Onde fica todo amor que lhe dei, toda confiança que lhe depositei, cada alegria que lhe proporcionei?
Havia um lugar que não era físico, um lugar surreal que me foi tirado, algo muito mais concreto que promessa foi quebrado, algo muito mais denso, muito mais real...
Ah, o amor... Que nessas horas parece algo que se dá e se tira, inconsequentemente e sem permissão! O amor sem todo aquele significado que tinha para nós, gestos que o representam sendo distribuídos a esmo e a qualquer pessoa, como se não houvesse uma história por trás de tudo isso! Seria somente imaginário o elo que o amor constrói?
Haveria que me substituir um dia, mas não tão rapidamente, não tão fervorosamente, não tão completamente... Afinal, o que eu esperava?

terça-feira, 19 de outubro de 2010

19/10/10

Eu não mereço flores.
Eu não mereço flores, porque não consigo ser especial para alguém a ponto de merecê-las. Eu me tornei comum, talvez com o passar dos anos, eu já não sou mais a mesma, as pessoas que conheço não são iguais, poucas delas merecem flores. Eu não mereço.
As paixões que me atingiram nos últimos tempos já não são tão intensas, por isso já não sonho com um mundo de flores e, aliás, tenho até medo de não mais conseguir amar. Creio que já fui especial para alguém, e até já ganhei flores, mas certamente nunca fui o mundo de alguém, que dizia que aquilo era amor. O amor é mais que isso. O amor não se resume a flores. Mas eu não mereço flores. E talvez já não mereça seu amor.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

04/10/10


" Todo amor virou mal...
Levando o meu mundo pro escuro...
Tatuando tudo o que vejo...
O que sou...
O que serei..."

Black - Pearl Jam


Isso representou muito mais para mim do que apenas o que eu vi. Ninguém me contou, eu vi. Mas eu não sei o que aconteceu depois.
Ia acontecer, cedo ou tarde. Mas você sabia que eu não estava preparada para que fosse agora.
Tudo o que existe por trás do que eu vi, quem saberá? Haverá uma história, haverá uma razão forte como a nossa? Haverá um segredo, ou quem sabe uma música que embale seus momentos? Haverá fotos e cartas, olhares e juras, arrepios quando as mãos se tocam?
Que prepotência a minha pensar que posso ganhar sempre!
Talvez você nunca veja minha fraqueza, ou talvez se sinta como eu... Mas não, é ilusão pensar isso, depois do que eu presenciei... Segundos apenas, foram suficientes para que eu imaginasse todo o resto. Terá havido resto? O que houve antes do que eu vi? E o que houve depois? Por que isso me angustia tanto?
Por que alguém tão parecida comigo? Acaso ainda pensa em mim? Certamente está com ela fisicamente, e eu não sei há quanto tempo, e eu não sei em que circunstâncias, eu só queria saber onde está sua mente, onde está seu coração. É realmente nela que você toca quando seus olhos se fecham?
Eu sinto algo que não se acaba. Impossível explicar. Eu sinto algo que não tem nome. Impossível definir. A única pessoa que me entendia era você. Talvez seu novo quebra-cabeça seja mais fácil de decifrar. Talvez isso seja bom... Ou não. Talvez ela também sinta algo sem nome por outra pessoa, e vocês sejam somente o refúgio um do outro. Mas talvez se apaixonem. Ou já estejam apaixonados.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

14/09/2010

Estou em crise de identidade. Existem pessoas que têm dupla personalidade, existem pessoas que têm personalidade mas são bipolares, mas eu acho que nem é esse meu caso. Pensei bastante no assunto e cheguei à conclusão de que tenho quádrupla personalidade. O que eu chamo de “eu” é, na verdade, quatro pessoas. Pior que isso, essas quatro pessoas nunca se encontram, ou nunca estão de acordo, e quando eu me refiro a mim (ou alguém se refere), fica difícil reconhecer de qual das quatro pessoas se está falando.
Em um momento de reflexão na semana passada, consegui identificá-las, porém ainda não conversar com elas. Por enquanto, só tenho a certeza de que são quatro. Apresento-lhes:




1. Um ser humano. Uma pessoa com todas suas aspirações, medos e ambições. Um jovem em busca do futuro, de uma carreira profissional, sucesso, status talvez. Alguém que quer mais da vida, conhecer o mundo, estudar bastante, saber um pouco sobre tudo, inventar coisas novas, ficar famoso por algo que fez. Trabalhar em algo que goste, ser bem-sucedido, relacionar-se bem com seus colegas e amigos, ser conselheiro e, quem sabe, um líder. Ter momentos de lazer com amigos, ensinar alguém a dançar, aprender a subir em árvores, ler um bom livro.

2. Sou mulher. Tenho fragilidades e aspirações próprias do sexo feminino, um coração de manteiga, uma carruagem que se transforma em abóbora. Sonho com a alma gêmea, o príncipe encantado, a cara-metade ou sei lá como se chame as tiras do meu chinelo. Sonho com alguém que me complete e me dê carinho, e em quem eu possa confiar, tanto quanto em mim mesma: uma extensão de mim. Quero receber flores, quero escrever cartas, quero jantar à luz de velas. Quero dividir um chiclete, passear à pé de mãos dadas, deitar na varanda admirando as estrelas, compartilhar a mesma música e os mesmos fones. Quero um amor para chamar de meu. Que me faça feliz com um sorriso. Que me faça contar as horas para revê-lo.

3. Sou filha. Não sou independente financeiramente, não tenho casa própria. Amo meus pais e moro com eles por opção. Adoro a comida da minha mãe, agüento o jeito (às vezes) ranzinza do meu pai. Eles me querem sempre por perto, nem sempre posso sair, e quando saio tenho hora para voltar. As cadeiras são demarcadas, a televisão é de quem chegar primeiro, assim como o banheiro. Há delegação de tarefas, e uma rotina diuturnamente previsível. Não é aceitável que eu tenha amigos que meus pais não conheçam, e muito menos que me visitem em horários impróprios (a definição desses horários muda consideravelmente conforme o humor e a previsão do tempo do dia). Também são comuns as discussões onde nunca se encontra o culpado, como torneira pingando, luz acesa, aparelhos elétricos ligados, copo sujo em cima da mesa, onde está o controle da televisão, alguém pegou meu isqueiro, quem terminou o papel higiênico e não repôs, quem deixou a embalagem do sabonete em cima da pia, quem tomou todo o refrigerante, quem mexeu no meu queijo, etc. Tais discussões por vezes afetam o humor dos moradores durante o dia inteiro. Além disso, algumas manias estranhas não respeitadas também podem mexer bastante com a escala Richter: Não faça barulho com a cadeira, não faça barulho quando caminhar de salto, não faça barulho quando der risada, não faça barulho enquanto alguém está assistindo televisão ou ouvindo rádio ou dormindo ou com dor de cabeça ou de mau humor ou com sono ou com fome ou comendo ou com náuseas. Nunca fale alto, não grite em hipótese alguma, cante somente se for afinado. Todos os meus amigos têm cara de gay, marginais, drogados, alcoólatras, prostitutas, transtornados mentalmente, repetentes, vagabundos, promíscuos, mal-falados, pobretões, não tomam banho ou não escovam os dentes ou escondem algo de seus pais ou da polícia, e, se eu andar com eles, todos vão pensar que eu sou tudo isso também. A mesma regra vale para todas as pessoas do sexo masculino por quem eu possa vir a me interessar.

4. Sou mãe. Diante de todo o exposto anteriormente, certamente por essa você não esperava. Tenho uma filha de oito anos que é a razão da minha vida, companheira de todas as horas, anjo que me curou da depressão com seu sorriso, e me roubou a rebeldia da adolescência antecipadamente. Eu ainda batalhava por um futuro para mim, quando surgiu a Flavi e, de repente, eu tinha que dar um futuro para ela. Tive uma história tão linda quanto triste com o pai dela, que contabiliza mais de dez anos entre namoro, brigas, união instável, amizade, rolo, namoro de novo, brigas de novo, ainda mato você, amizade de novo, rolo de novo. Já faz um mês que terminamos o namoro e estamos na fase de amizade de novo. A Flavi parece não se importar com isso, para ela o papai é namorado da mamãe e visita de vez em quando, mas quem dá dinheiro para comprar salgadinho é o vovô. A mamãe manda em mim, mas a vovó manda nela, então ela manda mais. Talvez um dia eu vá morar numa casinha só minha e da mamãe e do papai, e então poderei ter um cachorro. Mas antes disso a mamãe tem que terminar a faculdade, ela está estudando para ser jornalista, tem que pegar ônibus todo dia e quando ela volta para casa eu já estou dormindo. Outro dia papai me disse que acha que a mamãe não gosta mais dele, e eu falei que isso é mentira, porque a gente ama a nossa família. Mas o papai é muito ciumento. A mamãe, que eu saiba, só tem ciúmes de uma tal de Jaque, que deve ser muito feia e gorda e chata, eu não conheço ela mas eu odeio ela porque ela quer roubar o meu papai de nós.


Pausa para respirar. As outras três pessoas ficaram muito surpresas com essa última. Talvez agora elas aceitem se reunir e fazer as pazes. Nenhuma é mais importante que a outra. É como diz a Flavi: “somos uma família”. Há uma família dentro de mim. E eu nem sabia.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

23/08/10

Minhas mãos suam, minhas pernas tremem, minha pressão está alta e os pensamentos a mil. Não, infelizmente isso não é paixão, isso é estresse. Quem nunca passou por uma situação estressante chega a se apavorar com tais sintomas, porém, o nervosismo só piora ainda mais o quadro. Novamente vem um médico e me diz que a solução está num comprimido. Engulo minha raiva junto com ele, e durmo.